Independent Media Centers

Dezembro 24, 2007

Os Independent Media Centers são hoje o mais recente capítulo na longa história da imprensa alternativa americana. Os proprietários dos media desde sempre controlam o conteúdo editorial, deixando de fora os interesses de múltiplas facções da sociedade americana, estas mobilizaram-se na produção dos seus próprios meios e canais de transmissão de informação. A relação entre o jornalismo alternativo e os novos media pode ser caracterizada como processo natural. New Media é o termo utilizado pelos teóricos do jornalismo para designar a rápida ascensão dos meios de telecomunicações, dos computadores e da World Wide Web e da sua capacidade de mudança sobre o processo de recolha, tratamento e disseminação das notícias. Os novos media estão a transformar o jornalismo de muitas maneiras, mas a dimensão mais importante dessa mudança centra-se na relação entre as organizações noticiosas, os jornalistas, as fontes, os publicitários e as audiências. Os IMC´s estão a reestruturar a tradicional hierarquia dos editores, publicitários, fontes, jornalistas e audiências. No universo dos IMC´s a relação entre fontes, jornalistas e leitores é a única que de facto é potenciada, sendo que outros interesses exteriores não são contabilizados neste processo (Hyde, 2002).

O que torna o conceito dos IMC´s diferente de qualquer media online é a sua focalização nas notícias locais e na sua publicação online. Enquanto que outro media online preenchem o espaço dos seus sites com editoriais, comentários, análise de notícias (e os IMC´s muitas vezes faz links com estes, entre outras fontes), os IMC´s asseguram um meio online para disponibilizar notícias de cobertura em primeira-mão, originais, através de fotos, áudio, vídeo e texto. No site do IMC, para além da informação geral acerca do funcionamento dos seus sites, existem dezenas de mailing lists dedicadas à totalidade de aspectos relacionados com os processos técnicos e editoriais do mesmo. Cerca de uma dúzia destas mailing lists remetem para tópicos gerais a todos os IMC´s incluindo as dedicadas a propostas de submissão de reportagens, discussão do design do site, assuntos técnicos, estatutos editoriais, etc. Outras ainda dedicam-se à partilha de fotografias, áudio e vídeos. As mailing lists técnicas cobrem temáticas relacionadas com fotografias e vídeo, entre outras, e cada IMC tem a sua própria mailing list para tratamento de assuntos relacionados com a mesma. Todas as mailing lists gerais e locais encontram-se disponibilizadas em índice através da main page do IMC. Existe também uma sala de chat activa para convivo entre utilizadores (Hyde, 2002).

O estatuto editorial emergiu gradualmente nos IMC´s, após o surgimento do primeiro IMC em Seattle as notícias eram publicadas online com pouco discernimento editorial. Seguido por uma dinâmica de colocação livre de reportagens e tópicos de discussão, todos os utilizadores podiam dar o seu contributo. Com o desenvolvimento deste movimento, os membros da IMC aperceberam-se que as contribuições dos seus leitores variavam em qualidade. Surge então uma hierarquização das notícias por ranking, onde as notícias eram lidas por um grupo de leitores que as classificavam, as que detinham maiores níveis de noticiabilidade eram remetidas para destaque, enquanto que as restantes localizavam-se numa coluna independente. No entanto este procedimento editorial foi muitas vezes contestado nas mailing lists como sendo uma distorção ao direito da liberdade de expressão. Um membro da IMC inglesa justificou que o que estava em questão não seria a liberdade de expressão per se, mas que em última análise as notícias de maior qualidade tomam precedência perante as de menor qualidade (Hyde, 2002).

Enquanto o criticismo das organizações noticiosas tem vindo a aumentar, os IMC´s têm vindo a fazer a cobertura das temáticas activamente e segundo diferentes pontos de vista, usando com sucesso a World Wide Web para transmitir as suas notícias. Fazendo uso das tecnologias da informação, o número crescente de IMC´s providenciou uma vasta gama de pontos de informação para vários nichos de audiências e para várias minorias da sociedade, reportando diferentes notícias segundo perspectivas diferentes face aos media tradicionais (Hyde, 2002).

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